sábado, 23 de abril de 2016

Mergulho em quem não me espera


 


Tenho esse foco de luz libidinal aceso sobre o lugar onde estou a escrever. Os lençóis enrodilharam-se, e ouço a cabeceira da cama batendo, na trepidação com que escrevo sobre o caderno. A imagem que me deixa a mulher que está a escrever é a de um traço amplo e veloz a captar o poema que passa rápido. Impossível dizer-lhe que espere, que não consigo escrever à sua velocidade, que se repita ou volte a dizer (quando, de facto, nada diz) o que estava a dizer. Passa é o seu facto fundamental.

Mergulho em quem não me espera. Ignoro se me vê a escrever, deixo-me inundar de puro luar libidinal. (LLANSOL, 2000, p. 17).

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